Artigo: Pais precisam ‘aprender a dizer não’ na vida e na internet para os filhos

Roberta Guimarães

Como educadora, diretora de escola e mãe, assim como grande parte da sociedade, estamos todos muito preocupados com o tempo excessivo que crianças e adolescentes estão nas redes sociais. Penso como essas crianças estão lidando com todos esses estímulos que este universo sugere.

 

As crianças na fase da educação infantil deveriam estar brincando, vivenciando experiências, conhecendo texturas e sabores. Elas precisam vivenciar situações com o corpo, através de brincadeiras em grupos da mesma idade. Não é o que está ocorrendo, já que cada vez mais precocemente estão navegando pelas redes sociais e por serem muito pequenas não devem ter acesso a telas.

As crianças um pouco maiores (do fundamental 1), podem começar a ter acesso a este mundo digital, mas sempre com a assistência de um cuidador, professor ou pais. Esse tempo de exposição às telas, deve ser limitado por esses responsáveis, há que ser ter limitações claras quanto ao conteúdo e ao tempo de exposição. Essa ação, aparentemente “radical, trará segurança ao menor e fará com que cresça com mais responsabilidade em relação ao uso da tecnologia.

 

Pensar em tecnologia, escola, crianças, adolescentes e jovens é também direcionar nossos olhares ao cyberbulling e como educadora, o crescimento preocupante dessa “brincadeira” séria tem gerado efeitos devastadores. Quanto ao cyberbullying, avalio que todos: sociedade, pais, escolas e estado têm suas responsabilidades.

Para os pais e responsáveis por crianças/adolescentes, é preciso que tenham muito cuidado, pois o cyberbullying está acontecendo diariamente e esses menores não sabem como lidar com isso. Cabe aos adultos, conversarem sobre esses temas, de forma franca e direta, para que possam ajudar e protegê-los nesses momentos desafiadores.

 

Ainda sobre esse assunto, procuro explicar aos alunos, que mesmo não podendo ser responsabilizados pela lei por seus atos, realizados no ambiente digital, seus pais ou responsáveis arcarão ou poderão arcar judicialmente por ilegalidades que tenham praticado. É importante conscientizá-los sobre isso.

O meio virtual trouxe muita “liberdade”. O menor de idade e alguns adultos, podem pensar ainda que nesse meio: “posso expressar minha opinião de qualquer maneira, afinal de contas ninguém me conhece”, mas sabemos que não é mais assim, há leis, por exemplo que já limitam expressões e ações de maneira clara e precisa. Em relação à legislação, cito a Lei Carolina Dieckmann – (Lei nº 12.737, de 2012), que foi um marco importante no Brasil, mesmo o seu objetivo principal não sendo a proteção de dados pessoais de forma ampla, mas proporcionou a tipificação de crimes cibernéticos, passo fundamental para proteger a privacidade e os dados das pessoas na internet.

Em palestras educativas que fazemos na Rede Adventista, com pais e responsáveis, sempre alertamos que, mesmo aquelas crianças que ainda não sabem ler, chamadas nativas digitais, estão muito atentas a tudo e, apesar da tenra idade, já sabem utilizar o microfone do YouTube, por exemplo. Cito sempre o caso de uma criança que ouviu um adulto usar a expressão ‘filme que criança não pode assistir’ e ela reproduziu essa frase no aplicativo e conseguiu ter acesso a esse conteúdo impróprio para sua idade o que trouxe mudança comportamental e posterior conversa com os responsáveis. Soubemos disto, através de uma conversa informal com a mesma.

Desta forma, os adultos não devem menosprezar a inteligência das crianças e adolescentes em relação à capacidade que eles têm de acessar conteúdos e aplicativos, que seriam inadequados para suas idades. É importante que os responsáveis por crianças e adolescentes, sempre estejam atentos a mudanças de comportamento. Isso pode ser um indicativo de que algo está errado, seja tanto no ambiente real, como no virtual.

Mais recentemente, com a chegada da Inteligência Artificial (IA), novos desafios e oportunidades surgem. Sabemos que essa tecnologia, veio para ficar e está revolucionando todas as áreas do conhecimento humano. No entanto, mesmo com tudo isso à disposição, a IA, deve ser utilizada com ética e responsabilidade, para que possamos ter reais benefícios em todas as áreas da sociedade.

Diante de tudo isso, a nossa experiência de 23 anos na área educacional, em relação à exposição dos jovens no ambiente digital, sugerimos aos pais e responsáveis, “frustrem seus filhos, digam não a eles, ensine-os limites reais e virtuais”, para que entendam que na vida os “nãos” e os “sins” são provas de um amor e de um cuidado que os levará a um crescimento pessoal e real, não só para eles mas para toda sociedade que estiverem envolvidos.

 

Videodepoimento com Professora Roberta –  https://youtu.be/BEngMzA0-yo

A professora Roberta Guimarães é pedagoga, mestre em Educação com MBA em Tecnologias Educacionais e diretora do Colégio Adventista Taquaral-Campinas.

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